sexta-feira, 25 de março de 2011

Agora sou visita


Eles viveram uma sólida relação durante meia década. Uma tórrida paixão. Eram cúmplices e dividiam o mesmo espaço e as experiências, até que os dias mostraram que o cenário mudava: os carinhos ficaram escassos, as palavras mais bruscas e os momentos menos agradáveis, quando estavam juntos.

Era a proximidade do fim. Lágrimas, soluços e aquela dor que corrói as entranhas foram companheiras durante dias e noites daquela mulher, agora completamente solitária. O desfecho daquela história não podia ser mais trágico, pois o amor da sua vida partira com sua melhor amiga, para algum litoral leste, enquanto ela emergia na mais profunda desolação.

Felizmente a ideia clichê de que o tempo cura todas as mágoas, também funcionou neste caso. Os dias, meses e anos se passaram. As experiências trouxeram maturidade e a idéia de amor assumiu outra feição.

Em novo cenário, com novos amigos, o inesperado lhe trouxe de volta seu antigo amor que havia retornado e residia novamente na mesma cidade. Ela, ainda sozinha e solitária, não reagiu com indiferença aquele encontro que se multiplicou em coincidências que colocava um defronte o outro, costumeiramente.

Reaproximaram-se.... novamente a paixão, os carinhos e a alegria de estarem juntos. Ela, agora, tratada tal rainha, sem impaciências ou impertinências, só agrados, afagos, a doçura da conquista.
E assim tudo permaneceu. Ela sussurrava entre sorrisos: “agora sou visita”.

4 comentários:

  1. quanta candura nos textos...! tá de parabéns!

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  2. Você arrasou nesse post! O meu preferido até agora... claro que também gosto dos outros, mas esse é mais "literário"; parece um conto do Raduan Nassar ("ventre seco") que, apesar de muito triste, eu adoro. Um beijo!

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  3. As vezes não tem coisa melhor do que ser visita. Gostei daqui!

    Abraços!

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