quinta-feira, 31 de março de 2011

Meu namorado perfeito



O planeta Terra abriga mulheres que se agrupam nas mais diversas categorias e entre elas consta o grupo das contrariadas. Há aquelas que são descontentes com seu cabelo, outras se ressentem com sua altura, há ainda as insatisfeitas da circunferência da cintura e os itens dos desgostos são quase infindáveis. Porém, há um componente de descontentamento que é quase generalizado: a insatisfação com o namorado.

Quando elas não tinham nenhum namorado, elencavam em suas listas imaginárias, os quesitos que desejavam no indivíduo que iria ocupar o lugar de honra ao seu lado. Entre os pontos principais relacionavam a boa educação e a cortesia. Aspiravam também que a fidelidade fizesse parte das atribuições do pretendente, que deveria, entre outras qualidades, estar sempre disponível para quando precisassem e colocá-las como prioridade em suas vidas – acima de tudo!!!

Até que um dia o príncipe encantado se revela. Daquele jeitinho que elas efabularam: bonito, cortês, agradável, simpático, carinhoso e mais algumas atribuições que estavam na lista, mas que elas não revelavam assim, para todos. Era desejado que seu homem fosse também limpinho e perfumado. Pronto! Ali estava a concretização dos seus desejos: ele era perfumadíssimo e tinha colo macio. Que maravilha! Que inveja sentiriam as suas amigas ao contemplarem aquele par perfeito, escolhido a dedo, ocupando o lugar ao seu lado.

No início do relacionamento, um encanto. Dias felizes se anunciavam. Uma belezura de afetos e suspiros se encaixavam entre os dois que eram só amores e, como ela desejara, entre os atributos do mancebo estava a fidelidade. Era fiel, que delícia e que despreocupação! Ah, também era certinho. Trabalhava assiduamente, estudava línguas estrangeiras e aprimorava-se na carreira em cursos de aperfeiçoamento.

O quadro era tal qual aquele do rol elencado para o namorado perfeito. Mas, como a vida é composta por entretantos, aquele moço tão primoroso, em certos momentos, era imperfeito. A jovem, agora desencalhada, lamentava-se com suas amigas sobre a perfeição excessiva do namorado. Queria um pouco de safadeza. Esquecera de prever entre os itens, a imprevisibilidade, a ausência de rotina e um punhado de aventura para aquecer a relação.

E agora?

Contrariada, afirma que escolherá melhor na próxima vez e penderá seus olhos em alguém menos educadinho, menos organizado e que possa causar mais emoção em sua vida monótona.

Desfeitas as afeições primeiras, a moça que se enquadra no grupo das enfadadas de plantão, não se satisfez, naturalmente, com aquele namoradinho que se encaixava como uma luva nas suas aspirações iniciais. Diante da frustração, ela empreende novo rol de predicados para a próxima conquista. Coitada! Mal sabe que o segundo tipo também não lhe trará satisfação, nem o terceiro, nem o quarto. Existe namorado perfeito???

2 comentários:

  1. Hoiauehuau, muito bom o texto! Na minha opinião, a perfeição não existe pra ninguém, seja namorado, namorada, filho, filha, mãe, pai, enfim. Nós precisamos apenas aprender a conviver, e é claro que uns altos e baixos sempre cai bem pra dá um susto nas relações e é o que nos faz lembrar o quão aquela pessoa é importante em nossa vida. Não vale a pena se desgastar com uma pessoa, quando seus defeitos superam suas qualidades. Bjs

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  2. Aprendi isso tão tarde! :(

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