segunda-feira, 28 de março de 2011

"Ó abre alas que eu quero passar"

Eu poderia comentar os fatos mais importantes ocorridos na ultima quinzena, envolvendo personalidades femininas, como a visita de Michelle Obama ao Brasil e seus maravilhosos modelos, ou a morte da estrela Elizabeth Taylor e seu glamoroso funeral, ou ainda a visita da mais nova namoradinha de Hollywood ao complexo do alemão, no Rio de Janeiro, Anne Hathaway.

Todos esses fatos relacionados às mulheres famosas, naturalmente, encheram as páginas dos jornais e revistas e ocuparam os sites de notícias na internet, além dos programas televisivos. Contudo, só dizem respeito à vida da mulher comum, no que se refere ao encanto. Portanto, ao virar a página do jornal ou do site e ao desligar seu aparelho de TV, ficam lá os belos vestidos da Sra. Obama, os esplêndidos olhos cor de violeta da diva Taylor e o sorriso singelo da jovem Hathaway.

Na vida real, mulher que pega ônibus, encara engarrafamento, administra casa e enfrenta o trabalho está longe de ser notícia de pauta, pois o que faz sucesso não é o comum, o cotidiano, mas o raro, o infrequente, o que poucos têm e está distante da nossa realidade, embora compareça dentro das nossas casas nas telas luminosas que apresentam os seres com semipoderes e tão distintos da nossa vida real.

Fico a pensar em quão maléfico podem ser os exemplos do que não podemos ser. O que podem provocar? Angústia? Ambição? Entorpecimento? Ilusão? Desgosto? Seremos capazes de vislumbrar tanto fascínio da vida dessas supermulheres e nos mantermos firmes e belas em nossos cotidianos assoberbados de tarefas, em que não há copeiro que nos traga agua e café? Ou vamos nos tornar consumistas, invejosas e fúteis em busca de um lugar que não é o nosso?

Ser cada uma por inteiro, no seu universo, ainda que restrito às luzes da ribalta, eis o segredo para ser feliz. Aceitar-se. Reconhecer-se bela em sua particularidade. Impor-se como ser humano, comum, porém digno, grandioso e cheio de alegria. Compondo um quadro que nos ilumina e torna cada uma única, não tem Michelle, nem Anne, nem mesmo “Elizabeths” que possam nos ofuscar, pois o mundo é nosso e abre alas que vamos passar.

7 comentários:

  1. Bravo! amei. É isso mesmo. Viva nós!!!!

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  2. Eu também quero passar. Ò abre alas.

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  3. Sim concordo plenamente!!
    Devemos nos (re)conhecermos quanto mulheres de valor, que muito além das luzes que possam "nos ofuscar" somos únicas, mesmo que semelhantes não deixamos de ser essênciais...

    Belo Post!!!

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  6. Excluir comentário de: Meus silêncios

    Blogger Lilás disse...

    A percepção de quem somos, do que queremos e do que podemos, infelizmente, é atitude para poucos, ou melhor,poucas...
    A força do consumo, aplicada à infinita potência no caso das imagens e estereótipos, nos impede de ver a vida pelo prisma crítico e sensível que você nos propõe sobre nós, mulheres.
    Para criar esta atitude crítica e distanciada que não quer apenas ser espelho de outras, talvez fosse preciso educar o olhar para que ele fosse capaz de ver a beleza que permeia o cotidiano quase nunca tão glamouroso das - mulheres - essas, sim, bem reais - que fazem a vida se desenrolar a cada dia , no trabalho, na universidade, nas escolas, nas igrejas, nas ruas, nos lares encantadoramente...

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